Dircéa Sá

Engenharia social: a engenharia do mal

A corretora na qual tenho conta enviou um e-mail para me perguntar se eu sabia o que era engenharia social. Confesso que no primeiro momento não me ocorreu nada, tal era a estranheza que o termo me sugeriu. Na leitura, fiquei sabendo que engenharia social nada mais é do que o uso de palavras bonitas para nomear os golpes financeiros que usam a técnica de manipulação psicológica para roubo de senhas, saques em contas, dentre outras arapucas que prejudicam as pessoas. Noutras palavras, é o velho estelionato de roupa nova.

O objetivo, por trás do termo, é ludibriar a vítima para que ela pense que está se comunicando com um empregado do banco, empresa, ou pessoa com quem ela mantém contato regular. Uma vez convencida, a vítima chega ao ponto de realizar transações financeiras e compartilhar informações confidenciais.

Como acontece?

Os estelionatários podem entrar em contato por e-mail, telefone, mensagens de texto ou pelas redes sociais, se fazendo passar por um empregado do banco, loja, parente, amigo ou profissional com quem você mantém vínculo.

A história seguinte valeu até B.O. (Boletim de Ocorrência).

Numa sexta-feira, pouco antes do encerramento do expediente bancário, Rita, aposentada de 73 anos, recebeu um telefonema de sua gerente do banco. Muito profissional, a gerente se identificou e perguntou se ela estava fazendo compras porque havia percebido que Rita fazia um pagamento no montante de R$4.000,00, o que parecia estranho para o perfil de consumo dela.

Pânico, Rita negou que estivesse fazendo compras, afirmou que estava em sua casa. Solícita e preocupada, a gerente pediu que Rita aguardasse na linha, pois ia verificar se havia algum erro no sistema.

Angustiosos minutos de espera, retorna a gerente mais preocupada que antes para avisar a Rita que havia identificado mais pagamentos feitos por meio do cartão físico que estava com Rita. Como se explica isso?

Com uma história convincente, a gerente solícita mandou um Uber até a residência da Rita para apanhar o cartão quebrado ao meio, que devia ser colocado dentro de um envelope pardo, e discretamente entregue ao motorista de aplicativo. O argumento era que precisava do cartão no banco, na sexta-feira, para comprovar que o cartão estivera em poder da correntista e, então, estornar os valores pagos.

Na segunda-feira, ligam do banco onde Rita é correntista e perguntam se ela havia autorizado uma TED (Transferência Eletrônica Disponível) de 49 mil reais. Trêmula como gelatina no verão, Rita recebe a notícia de que desfalcaram das suas economias mais de 30 mil reais, incluindo pagamentos de boletos e compras. Por sorte, fora poupada de perder também os 49 mil reais da TED.”

Nessa história, o golpe aconteceu, de fato, quando Rita entregou o cartão para ser levado. Antes disso, tudo era encenação. Com o cartão quebrado ao meio, o chip preservado foi suficiente para os estelionatários fazerem as operações de pagamento e saques em espécie, mesmo sem ela ter fornecido a senha.

Como evitar ser lesado?

  • Saia do clima de tensão quando derem uma notícia de invasão da sua conta. Esses golpes acontecem geralmente às sextas, perto do final do expediente bancário. Os bancos não ligam para pedir informações sigilosas. Desligue o telefone.
  • Desconfie de e-mails e mensagens no whatsapp que queiram rapidez ou urgência, tipo resolva logo ou faça isso agora.
  • Guarde as informações pessoais que, como o próprio nome diz, são suas e cabe a você cuidar para que elas não cheguem até pessoas inescrupulosas.Cláudio: O MPRS está em tratativas para fazer convênio ne
  • Descarte um link que diz que você ganhou ou que você concorre a algum prêmio ou recompensa. Enfim, deixa para lá aquela história de que de graça até “injeção na testa”.
  • Economize nas informações das redes sociais. Menos informações sobre os seus hábitos, mais proteção para se manter a salvo de golpes.

No fim, a engenharia social é mais do mesmo velho estelionato. Ela escolhe bolsos recheados, de preferência. E salve-se quem puder!

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